17 de Outubro de 2018

QUANTO VOCÊ JÁ PERDEU EM CUSTO DE OPORTUNIDADE?

Por Hindemburg Melão Jr

 

Três dos erros mais comuns que as pessoas cometem ao tomar decisões sobre investimentos estão relacionadas a: 

1. Desconhecimento da diferença entre ganhos reais e ganhos nominais
2. Avaliação incorreta dos riscos
3. Desconhecimento do conceito de custo de oportunidade. 
 
Já tratamos da diferença entre ganhos reais e ganhos nominais em outro artigo (que pode ser lido aqui) e, em breve, publicaremos um artigo sobre como avaliar corretamente os níveis de risco. Aqui trataremos do tema citado no título. 
 
“Custo de oportunidade” é um dos conceitos mais básicos e mais importantes em Economia, Finanças, Negócios e Investimentos. Está relacionado a quanto se deixa de lucrar ao fazer uma escolha de investimento que não seja a mais lucrativa. 
 
Embora a ideia por trás desse conceito seja muito simples, a aplicação correta desse conceito é mais difícil do que parece, porque depende de uma avaliação rigorosa e acurada dos riscos. 
 
Por exemplo: em 18/08/2010 a Bitcoin estava cotada em 0,07 dólar. E em 12/10/2017, a cotação fechou em 19.065,71 dólares. Ou seja, para quem comprou Bitcoin em 18/08/2010, chegou a ficar com lucro de 27.236.628,57% em pouco mais de 7 anos. Se considerar também a alta do dólar em relação ao Real nesse período, o lucro foi de 49.176.732,18%. 
 
Quem aplicou na poupança teve lucro nominal de 63,07821% no mesmo período. A inflação acumulada nestes 7 anos foi de 57,09084%. Portanto o lucro real acumulado para quem investiu na poupança nesse período de 7 anos foi de 3,81% e o lucro real acumulado para quem aplicou em bitcoin nesse mesmo período de 7 anos foi de 31.304.610,18%. 
 
Então houve um custo de oportunidade de 99,99998782%. Mas será que foi um erro não ter aplicado em Bitcoin? 
 
Quando são divulgados os resultados da Mega-Sena, logo depois que os números se tornam conhecidos, qualquer pessoa pode dizer “ah, se eu tivesse escolhido estes números antes do sorteio, estaria multimilionário”. Mas o ponto central é: quais motivos a pessoa teria, numa data anterior ao sorteio, para ter escolhido aqueles números, em vez de ter escolhido quaisquer outros números? 
 
A resposta é: não havia como prever os resultados da Mega-Sena. Quem ganhou foi por mera sorte, não foi por ter adotado uma boa estratégia nem pelo uso de bons critérios. 
 
No caso da Bitcoin é quase a mesma situação. Não havia elementos suficientes naquela época para que se pudesse prever seu crescimento nos anos seguintes. Assim como não havia como prever a partir de que momento ela deixaria de se valorizar e começaria a cair. Em nenhum momento da história da bitcoin houve elementos para que se pudesse prever até que ponto se valorizaria, nem se continuaria a se valorizar nos dias subsequentes, meses subsequentes, anos subsequentes. Quem comprou bitcoin partiu da análise ingênua de que se esteve subindo nos últimos meses ou anos, então deve continuar assim, sem planejar o que fazer se começar a cair. 
 
Por isso quando se pensa em Bitcoin e se compara os lucros com os obtidos em investimentos seguros e estáveis, é necessário considerar também os riscos. O risco de perder quase tudo aplicando em Bitcoin sempre foi incalculável, porque a volatilidade era altíssima e não havia casos anteriores de criptomoedas com as quais se pudesse comparar sua curva de crescimento e estimar até que ponto poderia chegar. E mesmo que houvesse outras criptomoedas anteriores a ela, o fato de a primeira ter alcançado determinado patamar não significaria que as demais também deveriam chegar perto do mesmo patamar. 
 
Nos primórdios da bitcoin não havia histórico para testar uma estratégia com esse instrumento financeiro, nem liquidez em termos de volume por operação, nem em termos de número de operações por dia. Não havia grandes investidores negociando Bitcoin, que pudessem introduzir um pouco de ordem no caos, por isso as estratégias que podiam funcionar em pares de moedas tradicionais não eram aplicáveis em Bitcoin. Em resumo: não havia e não há elementos para se fazer uma gestão de risco adequada para negociar com Bitcoins, por isso operar com bitcoin é como uma loteria, não um investimento. Tanto é que desde que a Bitcoin atingiu seu máximo de US$ 19.000, tem caído vertiginosamente para pouco mais de US$ 6.000. E atualmente continua não havendo elementos para estimar corretamente se a partir de agora vai continuar a cair ou se vai voltar a subir, nem há como saber até que ponto continuará subindo ou caindo. Para entender melhor essa situação, é recomendável a leitura de nosso artigo “Investimento x especulação”. 
 
É completamente diferente de quem decidiu investir usando o Saturno V, em 2010 e nos anos seguintes, porque havia abundantes evidências de que a estratégia adotada pelo Saturno deveria gerar lucros consistentes, com centenas de artigos nos quais eram discutidos os resultados de vários estudos, mostrando a consistência dos resultados e a probabilidade de que aqueles resultados se mantivessem nos próximos anos, décadas, séculos. Os backtests mostravam resultados muito claros sobre o que se poderia esperar de rentabilidade e de risco. Depois que o Saturno V começou a ser utilizado em contas reais e passou a obter resultados muito similares aos dos backtests, essa foi a corroboração decisiva sobre a eficiência da estratégia e a segurança do sistema. No caso do Saturno V, portanto, o custo de oportunidade pode ser analisado de maneira exemplar e bastante didática: 
  
Para duas pessoas, A e B, que inicialmente tivessem mesmo valor para investir em agosto de 2010, digamos R$ 1.000.000,00 cada, sendo que a pessoa “A” optou por algum CDB que pagou 120% do CDI (o que é muito difícil de encontrar), enquanto a pessoa “B” optou pelo Saturno V, então ao longo do período de 8 anos, aquela que escolheu o Saturno passou por alguns períodos com máximo drawdown entre 30% e 40%, enquanto aquela que escolheu tesouro direto não chegou a ter mais que 10% de máximo drawdown. Porém ao final do período de 8 anos, quanto foi o lucro de cada uma dessas pessoas? 
  
O CDI entre 18/08/2010 e 18/08/2018, de acordo com a o Banco Central, foi de 122,134412%
  https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/corrigirPorIndice.do?method=corrigirPorIndice 
 
Então a pessoa que escolheu o CDB que paga 120% do CDI ficou com lucro nominal de 158,21% = {[(1,22134412+1)^(1/8)-1]*1,2+1}^8-1, enquanto a pessoa que escolheu o Saturno V ficou com lucro nominal de 3813,69% no mesmo período. 
 
Ao descontar a inflação (IPC-FGV) de 63,12273% nesses 8 anos, quem aplicou no Saturno ficou com lucro real em torno de 2299,23%, e quem aplicou no CDB ficou com lucro real em torno de 58,29%. 
 
Isso significa que o potencial de lucro no período foi de 2299,23%, mas a pessoa “A” teve rendimento de 58,29%. Então a perda em custo de oportunidade foi de 1-(58,29%/2299,23%) = 0,9746 ou 97,46%. A interpretação que se deve fazer disso, considerando o custo de oportunidade, é que a pessoa que aplicou no CDB em vez de ter aplicado usando o Saturno V sofreu uma perda de 97,46% e ficou com patrimônio 93,40% menor do que poderia ter ficado. 
 
Para compreender melhor esse conceito, é recomendável ler primeiro o artigo sobre “Lucros reais e lucros nominais”. De forma muito resumida, se pessoa aplica R$ 1.000 na poupança e 10 anos depois esses R$ 1.000 se transformaram em R$ 5.000, a pessoa pode ter a ilusão de que seu dinheiro foi multiplicado por um fator 5. Mas será que realmente isso aconteceu? Digamos que a inflação nesses 10 anos foi de 500%, então um pão que custava R$ 0,50 passou a custar R$ 3,00. Um litro de leite que custava R$ 4,00 passou a R$ 24,00 etc. Se a inflação subiu 500%, isso significa que, em média, os bens de consumo tiveram seus preços multiplicados por um fator 6, e se o dinheiro na poupança aumentou apenas 5 vezes, houve na verdade uma perda em poder de compra. Então se diz que houve um ganho nominal de 400%, mas não houve ganho real. Ao contrário, houve um prejuízo real de 16,67%. 
 
Um efeito análogo ocorre no caso de perdas em custo de oportunidade. A pessoa fez uma aplicação em CDB que, ao final de 10 anos, lhe rendeu um lucro nominal de 158,21%. Ao descontar a inflação 63,12%, ainda houve um lucro real de 58,29%. Mas na época que a pessoa decidiu aplicar neste CDB havia outras alternativas para aplicar o dinheiro, entre as quais o Saturno V, que gerou lucro de 3813,69%. Ao descontar a inflação, o lucro real foi de 2299,23%. Portanto a pessoa poderia ter obtido o lucro de 3813,69%, mas fez uma escolha que lhe rendeu 58,29%. Então ela teve uma perda de 97,46% em custo de oportunidade e uma perda de 93,40% em seu patrimônio. 
 

Paralelamente a este artigo, foi publicado um texto complementar, no qual é abordado o tema de como analisar o risco nessas situações, porque se a escolha com maior lucro implicasse uma decisão com maior risco no momento em que a escolha fosse feita, não seria tão simples decidir. A decisão precisa considerar principalmente qual a probabilidade de uma aplicação gerar lucro dentro do horizonte de tempo que a pessoa pretende resgatar esse investimento, levando em conta risco de crédito + risco mercado + risco de liquidez, se o risco visível está contínuo ou discretizado etc. É justamente isso que analisamos em nosso artigo “Como avaliar os riscos de um investimento?” 

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