24 de Dezembro de 2014

Mensagem de Natal

Por Hindemburg Melão Jr.

 

A todos que prestigiam nosso site com suas visitas, desejamos muita Sabedoria, muita saúde, muito amor e muita felicidade! Que seus sonhos que forem bons e justos se realizem, e os sonhos que ainda não forem bons e justos, que se aprimorem até que sejam dignos de serem realizados.

 

Em 1999, eu havia escrito um breve ensaio discutindo qual o mais correto: ser bom ou ser justo. A bondade é sempre nobre, sublime, e eleva o espírito. A pessoa se sente bem ao fazer o bem, assim como aquela que recebe o bem também se sente bem.

 

Por outro lado, algumas vezes a Justiça é severa e provoca uma sensação de desconforto tanto na pessoa que exerce a Justiça de forma impiedosa, quanto em algumas das pessoas que recebem a aplicação da Justiça. Quando falo de “Justiça”, estou me referindo à Verdadeira Justiça, na acepção socrática, independentemente do que determina a lei.

 

Na maioria dos casos, é possível ser bom e ser justo, mas em situações nas quais não seja possível conciliar ambos, e a Justiça exija um ato duro, qual o mais certo?

 

Com base nas experiências que eu havia tido até a época que escrevi aquele texto, me pareceu que o mais correto seria ser bom, e meu texto foi essencialmente baseado nessa tese, com o título “Não seja justo”. No entanto, isso só seria aplicável se todas as pessoas procedessem da mesma forma, colocando a Bondade acima da Justiça.

 

Mas no mundo real não é assim. As pessoas predominantemente boas acabam sendo prejudicadas tanto na interação com as pessoas predominantemente más quanto na interação com as pessoas predominantemente justas. Na verdade, basta que a interação seja com outras pessoas menos boas (mesmo que ambas sejam predominantemente boas), para que as mais boas sejam prejudicadas.

 

Numa situação em que as melhores pessoas sejam prejudicadas, há uma degradação do Bem. Em tal situação, ser justo produziria um resultado melhor, no sentido de maximizar o Bem.

 

Nesse contexto, a intenção primordial de maximizar o Bem faz com que a prática da Justiça seja preferível, em muitos casos, para evitar que as pessoas mais boas sejam lesadas. 

 

No mundo real, em que há pessoas com diferentes níveis de bondade e de equidade, o certo é sempre analisar, com sabedoria, e avaliar, com base nas circunstâncias específicas, se se deve ser bom ou ser justo.

 

Quando é possível conciliar bondade com Justiça, é o ideal e a decisão é fácil. Quando não se pode conciliá-los, deve-se analisar antes de decidir.

 

O critério para análise deve ser: qual das alternativas mais contribui para o Bem? Não o bem de alguém específico, ou de um grupo específico, ou da humanidade, ou da vida no planeta, ou da Natureza, ou da vida no Universo. Mas sim para o Bem em si.

 

Embora o Bem em si dependa das relações entre as entidades senscientes, pode-se estimar a maximização do Bem de forma independente dos agentes. Num mundo habitado por feras que se comem umas às outras e imperam a crueldade e o egoísmo, o extermínio da vida poderia não implicar nenhum prejuízo ao Bem, exceto pelo detalhe que estes organismos poderiam evoluir, desenvolver consciência, ética e se tornarem progressivamente melhores, no sentido de que cada vez mais contribuírem para a propagação do Bem.

 

Quando a situação for demasiado complexa para que se possa decidir com segurança, na dúvida geralmente é preferível ser bom. Mas quando há elementos suficientes para fundamentar a escolha de que ser justo conduz a um Bem maior, ainda que implique uma redução do bem local e ou do bem imediato, então deve-se optar pela alternativa que maximiza o Bem geral e perene.

 

Tudo muito bonito, na teoria, mas na prática é difícil executar, e especialmente difícil de manter esta conduta o tempo todo. Mas pode-se começar agora, às vésperas de Natal, e prosseguir nos dias seguintes, nas semanas seguintes, nos meses seguintes... até o próximo Natal e, então se aprimorar, e repetir o processo todos os anos.

 

Uma das grandes dificuldades de ser bom e justo é quando se age assim e se depara com pessoas que não ligam a mínima para isso. Aí está o desafio que precisa ser superado: não permitir que estas pessoas sejam mais fortes. O Bem contagia tanto quanto o mal. A maldade provoca rancor e desperta desejo de vingança, assim como o bem provoca a comoção e o sentimento de gratidão.

 

Se os bons e justos forem suficientemente fortes para se manterem firmes em seus propósitos, mesmo caminhado no meio da maldade e da iniquidade, então gradualmente contagiarão mais e mais pessoas, que também passarão a disseminar o Bem.

 

A Sabedoria, portanto, consiste em distinguir as situações nas quais se deve ser bom ou ser justo, bem como é da Sabedoria que vem a força para se manter fiel aos seus princípios, independentemente da conduta alheia.

 

O Natal é uma época na qual as pessoas se tornam mais propensas a incorporar um espírito de solidariedade, altruísmo e bondade. Não há motivo para que isso termine no carnaval.

 

Nas últimas décadas, o excesso de liberdade tem multiplicado o número de usuários de drogas, gravidez precoce, abortos, acidentes de trânsito e outros efeitos colaterais. A liberdade deve ser conquistada gradualmente, à medida que a criança demonstra maturidade e responsabilidade.

 

A conduta das próximas gerações está nas mãos da geração atual. O Bem total das próximas gerações depende de como a geração atual educará seus filhos. Por isso dê como presente aos seus filhos uma dose adequada de disciplina e palavras de Sabedoria. Crianças e adolescentes, na maioria das vezes, não têm discernimento suficiente para desfrutar o excesso de liberdade, o que geralmente as leva a incorrer em erros quando lhes falta disciplina. Um dos melhores presentes que se pode dar aos filhos é um futuro no qual eles sintam orgulho de si mesmos, orgulho dos pais, os pais sintam orgulho dos filhos e da educação que deram a eles.

 

O exemplo dos filhos é porque se tem maior possibilidade de influência sobre eles, mas o mesmo se aplica a todas as pessoas do círculo de amizades, colegas, contatos. Cada pessoa é (ou poderia ser) formadora de opiniões. Basta que suas atitudes, suas palavras e seus pensamentos sejam dignos de serem imitados.

 

Tome a iniciativa em fazer o bem sempre que necessário. A gentileza e a bondade, tanto privativamente quanto publicamente, são sempre um excelentes exemplos a serem imitados.

 

Quando estiver sem pressa, ceda a vez. Quando estiver com pressa, procure avaliar o nível de urgência de outras pessoas e se também não seria apropriado você ceder a vez, mesmo estando com pressa.

 

Ofereça ajuda aos idosos para as atividades que eles têm dificuldade.

 

Compartilhe alegria e esperança com as crianças.

 

Portadores de necessidades especiais precisam mais de autoestima do que de favores e proteção excessiva. Faço-os se sentir capazes de conquistar por si mesmos aquilo de que precisam, em vez de os cobrir com excessos de facilidades.

 

Aja sempre com sabedoria, analise cada situação antes de opinar e certifique-se de que sua opinião trará algum benefício concreto. Algumas opiniões podem ser úteis, mesmo que não sejam as melhores. Outras podem ser nocivas. Avalie se a maior sabedoria não estaria no silêncio.

 

Identifique às necessidades e intenções das pessoas à sua volta e contribua com aquelas que tiverem intenções boas e necessidades justas.

 

Seja cordial, ajude com prazer e sorria. Se não tiver prazer em ajudar, não o faça. Perderia o sentido.

 

Ao transformar o mundo num lugar melhor, você só tem a ganhar com isso. Nossa espécie é essencialmente imitadora. Ofereça bons exemplos e rapidamente verá outras pessoas seguindo estes exemplos, e outras seguindo o exemplo daquelas que seguem o seu exemplo, e assim sucessivamente. Comece já.

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